Administração
26/08/2026 8 minutos de leitura

Três IAs no call center: como atender picos de demanda sem contratação temporária

Três IAs no call center: como atender picos de demanda sem contratação temporária

Resposta rápida: a inteligência artificial no call center assume as demandas repetitivas e sazonais do atendimento (envio de informe de imposto de renda, segunda via, consulta de carências, dados cadastrais) e sustenta o pico de volume sem que a operadora precise contratar e treinar temporários. Diferente da URA de menu fixo, que só encaminha a ligação, a IA entende o motivo do contato e resolve, deixando a equipe humana livre para o que exige julgamento.

Todo início de ano a conta chega. Entre março e maio, milhares de beneficiários ligam para a operadora pedindo a mesma coisa: o informe para declarar o imposto de renda. A estrutura de atendimento, montada para o volume normal, trava. 

A saída de sempre é abrir vaga de temporário, treinar às pressas e torcer para dar conta até o pico passar. Só que o custo some no mês seguinte e volta a cada nova sazonalidade. Existe outro caminho, e ele não passa por inflar a folha. 

Este texto mostra como a inteligência artificial no call center segura esse tipo de pico, onde a automação difere da IA de fato, e o que muda para quem decide sobre tecnologia, atendimento e orçamento.

Por que o pico sazonal quebra a operação de atendimento

O problema não é o volume em si. É o tipo de volume. Num pico de imposto de renda, a maioria das ligações pede um documento que já existe e poderia ser entregue sozinho. Estrutura cara, gente qualificada, tudo ocupado com uma tarefa simples e repetida milhares de vezes.

Esse desperdício tem peso financeiro real. A sinistralidade das operadoras médico-hospitalares ficou em 81,9% de janeiro a setembro de 2025, o menor nível desde 2021, segundo a ANS. Sobra pouca margem: cerca de R$ 6,20 de resultado a cada R$ 100 de receita no período. Nesse aperto, atendimento é despesa administrativa, e despesa administrativa que dispara no pico corrói o pouco que resta.

Some a isso a pressão regulatória. Com a RN 657/2025, a ANS mudou a forma de avaliar reclamações e passou a pesar mais a percepção do beneficiário sobre a resolução da demanda, não só a análise técnica do mérito. 

Fila longa e ligação não resolvida agora aparecem com mais força no indicador público da operadora. O pico deixou de ser só um problema de custo. Virou risco de reputação e de enquadramento.

URA, temporário ou inteligência artificial no call center: o comparativo

Quando o volume sobe, a operadora tem basicamente três respostas na mesa. Cada uma resolve uma parte e cobra um preço diferente.

CritérioURA de menu fixoContratação temporáriaIA de atendimento
Elasticidade no picoBaixa: capacidade fixa, a fila cresce junto com o volumeMédia: depende de recrutar e treinar antesAlta: escala o volume repetitivo sem depender de nova vaga
CustoBaixo, mas com custo escondido de fila e reclamaçãoAlto e sazonal: some depois, mas repete a cada picoRecorrente e previsível
Tempo para ativarJá instalada, porém rígida para mudarSemanas de seleção e treinamentoRápido depois da configuração inicial
Erro e consistênciaConsistente, mas resolve pouco (menu não entende a demanda)Curva de aprendizado do temporário eleva o erro no começoUniforme nas tarefas repetitivas
O que sobra depois do picoNada mudaO conhecimento vai embora com o temporárioCapacidade e histórico ficam na operação

A URA de menu fixo é o modelo mais antigo e o mais frustrante para quem liga. Ela não entende o motivo do contato, só oferece opções e encaminha. Se o beneficiário quer o informe de imposto de renda, ainda precisa navegar o menu, esperar e, na maioria das vezes, cair num atendente. 

O temporário resolve o pico de verdade, mas é uma solução que se apaga. Passou a sazonalidade, a estrutura vai embora, e no ano seguinte a operadora recomeça do zero, com novo custo de recrutamento e treinamento.

A inteligência artificial no call center muda a lógica porque ataca a raiz: as demandas que nem precisariam de gente. Ela entende o que o beneficiário quer, resolve na hora quando é repetitivo, e escala junto com o volume sem abrir vaga nova.

Automação e IA não são a mesma coisa (e isso importa)

Aqui vale um cuidado técnico que muita gente atropela. Automação e inteligência artificial resolvem problemas diferentes, e tratá-las como sinônimo leva a decisão errada.

Automação segue regra. Você define “se o beneficiário pedir o informe de IR e estiver identificado, envie o documento cadastrado”, e o sistema executa isso sem falhar, milhares de vezes. É previsível e ótima para tarefas de padrão fixo. O que a automação não faz é entender uma pergunta fora do script.

A IA aprende padrão. Ela interpreta linguagem natural, reconhece a intenção mesmo quando o beneficiário não usa as palavras exatas do menu, e decide o melhor encaminhamento. É o que permite substituir a URA rígida por um atendimento que de fato entende a demanda.

Na prática, as duas trabalham juntas. A IA entende o pedido e valida quem está do outro lado da linha; a automação executa o envio com segurança, usando o e-mail e o WhatsApp já cadastrados. 

Foi assim que uma operação de grande porte acompanhada pela Maida passou a resolver o pico de imposto de renda sem escalar a equipe: a solicitação chega, o sistema confirma a identidade pelos canais já registrados e entrega o documento, sem que uma pessoa precise digitar nada. 

O que a IA no call center resolve sem tirar o humano da conta

Esse é o ponto que separa uma boa estratégia de uma aposta ingênua. A IA não entra para demitir o time. Entra para tirar do time o que trava a operação.

As tarefas que a inteligência artificial no call center assume bem são as de alto volume e baixa complexidade:

  • Envio de informe para imposto de renda, o clássico gargalo sazonal
  • Segunda via de boleto e documentos
  • Consulta de carências e dados cadastrais
  • Envio do link de acesso ao guia médico
  • Alterações cadastrais simples

O que continua com a pessoa é o que exige julgamento, empatia e contexto: uma negativa de cobertura que gerou angústia, um caso clínico sensível, uma reclamação que virou conflito. E essa divisão não é opinião da Maida. 

É para onde o mercado aponta. A Gartner projeta que, até 2029, a IA vai resolver de forma autônoma 80% das demandas comuns de atendimento, com redução de 30% nos custos operacionais. 

Mas a própria consultoria mostra o outro lado: numa pesquisa de 2025 com líderes de atendimento, 95% afirmaram que vão manter agentes humanos para definir o papel da IA. O modelo que funciona é digital primeiro, não digital sozinho.

O ganho aparece nos números do próprio atendimento

Quando a camada de IA e automação entra bem calibrada, o efeito é medível. No caso do “Telefone Inteligente”, solução da Maida que integra a URA ao sistema de gestão do plano, o volume de chamadas atendidas em até 30 segundos subiu para 90%, e aproximadamente um a cada três beneficiários passou a resolver a demanda sem falar com um atendente. 

Entre o que roda de forma automática está justamente o envio de informações para imposto de renda, além de agendamento, alterações cadastrais e consulta de carências.

Repare no que esses números significam para o pico. Se um terço das ligações se resolve sozinho e nove em cada dez são atendidas em segundos, a estrutura humana deixa de ser engolida pelo volume sazonal. O temporário que a operadora contrataria some da conta, e a fila que arranharia o indicador da ANS não se forma.

Vale a pena para a sua operação?

Se o seu call center vive picos previsíveis, imposto de renda, reajuste anual, campanhas, e a resposta padrão é abrir vaga de temporário, existe um caminho que não repete esse custo todo ano. Um diagnóstico do seu volume de atendimento, separando o que é repetitivo do que exige gente, mostra quanto da sua estrutura hoje está ocupada com demandas que a inteligência artificial no call center resolveria sozinha. 

Fale com um especialista da Maida para entender onde a automação e a IA fazem sentido na sua operação.

Segurar o pico nunca foi sobre ter mais gente na linha. É sobre não gastar gente qualificada com tarefa que se resolve sozinha. A URA de menu fixo só empurra a ligação adiante. O temporário resolve e evapora. 

A IA aprende a demanda, assume o repetitivo e devolve ao time o tempo para o que a tecnologia não faz: cuidar de quem está do outro lado num momento que importa. Num setor de margem apertada e régua regulatória mais exigente, essa diferença aparece no custo, no indicador e na experiência de quem liga.