As autogestões de saúde desempenham um papel relevante no sistema de saúde suplementar brasileiro, oferecendo um modelo de plano de saúde em que uma instituição gerencia a assistência oferecida aos seus funcionários. Ou seja, ao contrário dos planos de saúde tradicionais, que são operados por empresas e comercializados para diversos clientes, as autogestões são geridas internamente pela própria entidade mantenedora. Como resultado, isso garante total controle sobre os recursos e a qualidade assistencial. Esse modelo oferece uma gestão mais transparente e compartilhada, já que não há a necessidade de repasse de lucros a acionistas. Portanto, se você está buscando uma alternativa mais direta e eficiente, a autogestão pode ser a opção ideal, pois ela prioriza o bem-estar do beneficiário.
Em resumo, as autogestões proporcionam maior controle, transparência e eficiência, tornando-se uma excelente alternativa para quem busca um serviço de saúde mais humanizado e com custos reduzidos.
Como funcionam as autogestões de saúde?
As autogestões são operadoras de planos de saúde que gerenciam a assistência oferecida aos beneficiários sem fins lucrativos, abrangendo serviços médicos e outras especialidades de saúde, como odontologia, psicologia e nutrição, entre outros. Elas funcionam sob um modelo de gestão própria, no qual os recursos financeiros são reinvestidos para garantir a qualidade da assistência. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), aproximadamente 9% dos beneficiários de planos de saúde no Brasil estão vinculados a uma autogestão. Esse percentual representa cerca de 4,5 milhões de pessoas, o que destaca a importância desse modelo dentro do cenário da saúde no país.
Dentre as características das autogestões, destacam-se:
Modelo sem fins lucrativos
Os custos são compartilhados entre os beneficiários e a entidade mantenedora, garantindo equilíbrio financeiro sem a necessidade de repasse de lucros a acionistas.
Foco na prevenção e qualidade assistencial
Estratégias de promoção à saúde e prevenção de doenças são amplamente utilizadas, o que pode reduzir os custos assistenciais a longo prazo.
Gestão da rede credenciada
As autogestões têm maior autonomia na escolha e administração da rede credenciada, permitindo um acompanhamento mais próximo da qualidade dos serviços prestados. Isso possibilita negociações mais eficientes, personalização dos atendimentos conforme as necessidades dos beneficiários e maior alinhamento com os princípios da entidade mantenedora.
Vantagens das autogestões de saúde
O modelo de autogestão oferece vantagens tanto para as empresas e entidades mantenedoras quanto para os beneficiários. Entre os principais benefícios, destacam-se:
1. Redução de custos
Por serem operadas sem fins lucrativos, as autogestões conseguem oferecer planos de saúde a preços mais acessíveis. Segundo um levantamento da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), os custos assistenciais das autogestões são, em média, 20% inferiores aos dos planos comerciais.
Já a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) aponta que operadoras sem fins lucrativos tendem a apresentar despesas administrativas proporcionalmente menores, permitindo um direcionamento maior dos recursos para a assistência médica e a prevenção de doenças.
2. Maior transparência na gestão
A transparência na gestão das autogestões se reflete na prestação de contas periódica, na previsibilidade financeira e na participação ativa dos beneficiários nas decisões estratégicas. Relatórios detalhados sobre a aplicação dos recursos e a adoção de boas práticas de governança contribuem para um modelo mais confiável e eficiente.
Entidades como a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS) têm um papel essencial na defesa do setor, promovendo boas práticas de gestão e eficiência. Essas iniciativas fortalecem a sustentabilidade das operadoras e garantem que os beneficiários tenham voz ativa em decisões estratégicas, tornando o modelo mais participativo e alinhado com suas necessidades.
3. Foco em prevenção e promoção à saúde
As autogestões priorizam programas de prevenção, que podem reduzir significativamente a incidência de doenças crônicas entre os beneficiários. De acordo com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), planos que investem em prevenção conseguem reduzir em até 35% os custos relacionados a internações hospitalares. Além disso, um estudo da NCD Alliance aponta que programas estruturados de gestão de doenças crônicas podem reduzir as complicações médicas em até 40%, melhorando a qualidade de vida dos beneficiários e, consequentemente, diminuindo os custos assistenciais.
Desafios das autogestões de saúde
Apesar das vantagens, as autogestões enfrentam desafios significativos, que exigem gestão eficiente e inovação contínua.
1. Sustentabilidade financeira X envelhecimento da população
O equilíbrio das contas é um dos desafios enfrentados pelas autogestões de saúde, especialmente diante do aumento contínuo dos custos assistenciais. Segundo a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), os gastos com saúde suplementar cresceram, em média, 12% ao ano nos últimos cinco anos, pressionando a viabilidade econômica dessas entidades.
O envelhecimento da população atendida pelos planos de autogestão é um dos pontos de atenção. Com uma base de beneficiários que se renova lentamente e mantém os aposentados em sua cobertura, o aumento da idade média leva a uma maior prevalência de doenças crônicas e degenerativas, exigindo tratamentos prolongados e de alto custo. Além disso, a liberdade de acesso a uma ampla rede de prestadores, juntamente com a concentração geográfica em regiões com alto custo per capita, agrava ainda mais a demanda sobre os recursos. Dessa forma, esses fatores tornam ainda mais desafiadora a gestão dos recursos disponíveis, exigindo soluções eficientes para garantir a qualidade dos serviços prestados. Esses fatores combinados tornam a manutenção do equilíbrio financeiro um desafio cada vez mais complexo para as operadoras.
2. Outros desafios econômicos
A redução da capacidade de reajuste das mensalidades limita a flexibilidade financeira necessária para cobrir o aumento das despesas assistenciais. De acordo com o aumento da sinistralidade, que reflete a relação entre despesas assistenciais e receitas, temos observado um cenário desafiador para as operadoras de saúde. Isso se deve principalmente à maior utilização dos serviços de saúde pós-pandemia. Como resultado, os custos aumentaram, pressionando ainda mais as finanças das operadoras.
Outro desafio é a dificuldade na captação de novos beneficiários, essencial para equilibrar a carteira e diluir riscos. Sem novas contribuições, as autogestões tornam-se mais vulneráveis a flutuações de custos e receitas. Esses fatores exigem estratégias eficazes de gestão financeira e adaptação às novas demandas do mercado para garantir a continuidade e qualidade dos serviços prestados.
3. Transformação digital e inovação
A digitalização e adoção de novas tecnologias é essencial para garantir maior eficiência e reduzir custos operacionais nas autogestões de saúde. Inovações como teleconsulta, inteligência artificial (IA) e interoperabilidade de dados tem se mostrado fundamental nesse processo. A teleconsulta permite a prestação de serviços médicos à distância, ampliando o acesso e reduzindo custos com deslocamentos e infraestrutura física. A inteligência artificial, por sua vez, facilita a análise de grandes volumes de dados, auxiliando na previsão de riscos à saúde e na personalização de tratamentos. A interoperabilidade de dados assegura que informações de saúde sejam compartilhadas de forma segura e eficiente entre diferentes sistemas e instituições, promovendo um atendimento mais integrado e de qualidade.
De acordo com o levantamento TIC Saúde 2024, 92% das autogestões já utilizam sistemas eletrônicos para o registro de dados dos beneficiários. Contudo, apenas 38% adotaram inteligência artificial para otimizar processos e prever riscos à saúde. Isso significa que, embora muitos já estejam digitalizando os dados, a automação e a análise de dados ainda são subutilizadas.
Como resultado, a implementação dessas tecnologias é crucial para manter a competitividade e a eficiência operacional. Além disso, ao investir em soluções como a inteligência artificial, as operadoras podem melhorar significativamente a qualidade do atendimento e, ao mesmo tempo, reduzir custos.
Além disso, muitas autogestões têm dificuldade de modernização de sistemas internos, ainda utilizando programas executados em máquinas locais, sem a atualização para o modelo SaaS (Software como Serviço), que permite o armazenamento de dados em Nuvem, sendo acessados por meio da Internet de forma eficiente e segura.
Superar essas barreiras é crucial para que as autogestões de saúde possam aproveitar plenamente as vantagens da transformação digital e atender às demandas de um mercado cada vez mais exigente.
Conclusão
Apesar de grandes desafios enfrentados pelas autogestões de saúde, elas encontram oportunidades para garantir sua sustentabilidade financeira a partir da adoção da inovação, automação e outras tecnologias.
Soluções tecnológicas têm o potencial de ajudar a controlar a sinistralidade, promovendo uma gestão mais eficiente, e de focar cada vez mais na qualidade assistencial, garantindo um atendimento de excelência e satisfação dos beneficiários. Com o uso dessas ferramentas, as autogestões podem alcançar um modelo de saúde mais equilibrado e sustentável no longo prazo.